Viva Maria
Viva Maria homenageia Santa Raimunda
Pesquisadora destaca trajetória da santa popular nos seringais do Acre

Foto: Rachel Dourado/Arquivo Pessoal
Neste 31 de julho, Viva Maria se despede do Julho das Pretas. Um mês marcado pela mobilização das mulheres do Brasil e do mundo em torno das questões urgentes de uma luta histórica, dura, mas que há de se consagrar vitoriosa.
Essa certeza também nasce dos laços de parentesco político e ancestral selados entre mulheres negras e indígenas durante a 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. E Mara Régia se despede do Julho das Pretas sob as bênçãos de Santa Raimunda.
Nesta edição, o programa aborda a celebração de Santa Raimunda, devoção popular presente nos seringais do Acre. A história da santa é tema da pesquisa da professora, geógrafa, turismóloga e autora Rachel Dourado, responsável pelo livro "Espaços de Peregrinação: a devoção nas estradas da seringa".
A pesquisadora explica que Santa Raimunda viveu no primeiro ciclo da borracha, período marcado pela expansão da extração do látex na Amazônia. Antes de ser reconhecida como santa popular, Raimunda atuava como parteira nos seringais, percorrendo longas distâncias para atender mulheres da região.
Antes de receber o título de santa, Raimunda foi vítima de violência doméstica. Grávida de nove meses, ela foi agredida pelo marido durante o trabalho de coleta de látex. Entrou em trabalho de parto em uma estrada de seringa e morreu sem conseguir realizar o próprio parto.
A pesquisadora destaca que a devoção a Santa Raimunda reúne, até hoje, mulheres que buscam apoio diante de situações de violência, especialmente na região de fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru.
Confira a entrevista no player.
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