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Viva Maria

Manual propõe novo olhar do jornalismo sobre povos indígenas

Publicação reúne orientações de jornalistas indígenas para a imprensa

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Foto: Divulgação/TV Brasil

[...]

sei que estou em um sonho

onde cabem muitos mundos

onde há colisões

{onde há muita força

há fricção}

mas também é terreno

de vontade e suor

pra reflorestar

latifúndios narrativos

[...]

semente é nossa palavra

água pra terra seca

encanto é escrita

escrita é encanto

[...]

Os versos de Jamille Anahata Mura abrem Poranga Marandúa — Manual de Redação do Jornalismo Indígena, publicação que propõe justamente um reflorestamento das narrativas sobre os povos originários. No Viva Maria desta terça-feira (11), Mara Régia conversa sobre a iniciativa da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), que busca transformar a forma como a imprensa cobre as histórias, os territórios e as lutas indígenas.

Produzido coletivamente por dezenas de jornalistas indígenas, o manual reúne orientações para profissionais da comunicação e valoriza as próprias comunidades como protagonistas de suas histórias. A proposta é enfrentar estereótipos, corrigir práticas recorrentes da cobertura jornalística e ampliar a presença de fontes e profissionais indígenas na imprensa.

Entre as vozes ouvidas pelo Viva Maria está Raquel Kariri, jornalista e pesquisadora indígena, que compara a iniciativa a um reflorestamento das narrativas historicamente dominadas pelo jornalismo hegemônico. Andreza Baré, uma das referências do jornalismo indígena no Brasil e inspiração para o manual, destaca a importância da publicação como ferramenta pedagógica para orientar a cobertura dos povos originários.

Também participa da conversa Dione Moura, diretora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, que defende a presença de jornalistas indígenas nas redações e a valorização de diferentes experiências e perspectivas na produção jornalística.

Em um momento de mobilização dos povos indígenas em defesa de seus territórios e direitos, Poranga Marandúa propõe que a palavra seja também território: um espaço para que os povos originários contem suas próprias histórias.

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