Viva Maria
Mais uma Maria se despede. Uma homenagem à Isabel do vôlei
Esta edição se despede de uma Maria que fez de sua força, raça e fé uma referência, a Maria Isabel Barroso Salgado, mais conhecida como a Isabel do vôlei brasileiro

Texto da apresentadora:
"Olá, gente amiga desse nosso programa.
Esta edição se despede de uma Maria que fez de sua força, raça e fé uma referência, a Maria Isabel Barroso Salgado, a Isabel do vôlei.
E aqui, uma pergunta que não quer calar: Se é verdade que existem mais estrelas no céu do que grãos de areia na Terra, por que será que o destino resolveu abreviar a trajetória de vida de uma das mais brilhantes atletas brasileiras?
Sem céu e sem chão Viva Maria recebeu a notícia como um saque em suspensão, também conhecido como "Viagem ao Fundo do Mar" (considerado o mais potente no mundo do vôlei!).
Uma síndrome da Angústia Respiratória Aguda, (SARA)levou nossa Maria Isabel Barroso Salgado. Até agora, estamos à espera do apito do árbitro, para nos convencermos de que o jogo acabou.
Nesse adeus, fica nossa homenagem a essa garota carioca sangue bom. Desde cedo, era disposta a se opor contra o que considerava errado, injusto, acintoso.
Exemplo maior tive a honra de assistir no Ginásio do Ibirapuera em 1982 em São Paulo, a Isabel em noite de decisão.
Na torcida, mais de 20 mil pessoas empurrando a seleção brasileira feminina de vôlei contra as japonesas, na final do Mundialito, preparatório para o Campeonato Mundial.
A equipe nipônica estava a dois passos da vitória quando o público enfurecido começou a vaiar as asiáticas e a atirar objetos na quadra.
Naquela altura, Isabel com apenas 22 anos, foi até a mesa dos apontadores, pegou o microfone e avisou: “se não pararem com isso, não vai mais ter jogo”.
Silêncio geral. A partida continuou, o Brasil perdeu, mas os torcedores se comportaram até o final.
Mas, para além desse legado, nossa Maria Isabel Barroso Salgado, cidadã brasileira que, inclusive encabeçou o movimento “Esporte pela Democracia”, com o propósito de lutar por uma sociedade mais justa, deixa para seus filhos a atitude, como maior herança e a gratidão em memória à figura corajosa de sua avó.
Em depoimento para a série Mulher Invisível em 1997, Isabel compartilhou as histórias que impregnaram sua alma de inquietude e liderança no vôlei e, agora, na eternidade."
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