Viva Maria
Especialista alerta sobre violência sexual contra crianças na internet
Programa recebeu Cristina Cordeiro, diretora do Instituto Liberta

Foto: Marcello Casal Jr/Agência brasil
Neste 23 de setembro, Dia Internacional contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças, o programa Viva Maria chama a atenção para as violações de direitos que atingem, principalmente, pessoas em situação de vulnerabilidade. A violência sexual pode ocorrer de diferentes formas e também está presente no ambiente digital.
Para falar sobre o tema, o programa recebeu Cristina Cordeiro, diretora do Instituto Liberta.
Cristina Cordeiro destacou que a exploração sexual não ocorre apenas quando uma pessoa é levada à força. Segundo ela, especialmente no ambiente digital, crianças e adolescentes podem ser enganados, manipulados e aliciados por pessoas que oferecem dinheiro, trabalho, relacionamento afetivo ou proteção.
Dados apresentados durante a entrevista apontam 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025 e mais de 422 mil notificações no período de 11 anos.
Para Cristina Cordeiro, os números oficiais representam apenas uma parcela da realidade, devido à subnotificação. Ela destaca ainda que a violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre, em grande parte, dentro de casa e envolve pessoas conhecidas das vítimas.
Entre os sinais que podem indicar que uma criança precisa de atenção estão mudanças de comportamento, tristeza, crises de choro, perda de interesse por atividades antes prazerosas e regressões no desenvolvimento. Cristina ressalta, porém, que nenhum desses sinais, isoladamente, permite concluir que houve violência sexual.
A orientação é que família e escola construam uma rede de proteção, criando espaços seguros para que crianças e adolescentes possam falar sobre situações que estejam causando medo ou desconforto.
Atenção ao ambiente digital
Outro alerta da diretora do Instituto Liberta diz respeito ao uso da internet. Segundo Cristina, jogos e plataformas aparentemente inofensivos podem ser utilizados por aliciadores que se apresentam como crianças ou adolescentes e, por meio de conversas, tentam levar as vítimas para outros ambientes digitais.
A especialista recomenda que pais e responsáveis acompanhem os espaços frequentados pelas crianças na internet e orientem sobre o compartilhamento de informações, fotografias e conteúdos íntimos.
Cristina também cita a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que amplia mecanismos de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
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