Tarde Nacional - Amazônia
Pesquisa mostra que abate de jumentos para exportação aumentou 8.000% entre 2015 e 2019
Dados levantados mostram risco à espécie

O Tarde Nacional – Amazônia desta segunda-feira (30) tratou sobre um estudo que constatou que o abate de jumentos para exportação cresceu 8.000% entre 2015 e 2019, colocando em risco a espécie no Brasil.
Quem conversou com a apresentadora Juliana Maya sobre o assunto foi a socióloga e especialista em relações humano-animais, Mariana Gameiro. Essa pesquisa foi realizada durante o pós-doutorado dela na Faculdade de Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).
Mariana explicou que esse aumento aconteceu devido ao grande interesse de alguns países, principalmente a China, por uma substância encontrada na pele do animal e usada na produção de um medicamento, o eijao.
Segundo a entrevistada, embora a substância seja utilizada pela medicina tradicional chinesa há mais de 3 mil anos para diversas finalidades, muitas delas não têm comprovação científica.
“A questão é que o uso desse produto era restrito a uma elite. E a partir dos anos 1990, começo de 2000, ele se popularizou muito, então o consumo aumentou enormemente. O que a gente viu, e existem dados que mostram, é que a produção do eijao aumenta 20% por ano na China e o reflexo disso é óbvio: eles precisam de mais animais para produzir mais medicamento” ressaltou Mariana.
A pesquisadora chamou atenção para o fato de que a situação não é sustentável, inclusive, por não termos no Brasil uma cadeia estruturada para produção de jumentos para indústria, da mesma forma que existe para outros animais.
“O que nos preocupa é que o ritmo dos abates é muito mais alto que o ritmo de reprodução dos jumentos. Então, como a cadeia não está formada, você tem uma taxa de abate muito superior a taxa de nascimento de novos jumentos. Então, realmente isso coloca a população de jumentos em risco em vários lugares, em todos os países do mundo que passam por esse problema”, alertou Mariana, que concedeu a entrevista diretamente do Quênia, onde, segundo ela, a situação é muito parecida.
A entrevistada falou ainda da importância econômica e cultural do jumento para o povo brasileiro, especialmente para os nordestinos. E explicou sobre o protocolo desenvolvido para avaliação de bem-estar dos animais.
Quer saber mais? Então clique no player acima e confira a entrevistas na íntegra!
O Tarde Nacional - Amazônia vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h às 15h, na Rádio Nacional da Amazônia. A apresentação é de Juliana Maya.
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