Repórter Nacional
Nuzman vira réu por compra de votos para a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016
O e-presidente do COB vai responder por corrupção passiva, organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro

O ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) , Carlos Arthur Nuzman, pode deixar a prisão a qualquer momento. Para ganhar a liberdade ele depende apenas da chegada do alvará de soltura à Cadeia Pública José Frederico Marques, que fica em Benfica, na zona norte da capital fluminense, e abriga os presos da Operação Lava Jato no Estado que têm curso superior.
Nuzman foi beneficiado por habeas corpus concedido pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça. Na decisão, tomada por unanimidade nesta quinta-feira, os ministros consideraram que a prisão preventiva era uma medida desproporcional às acusações feitas contra ele.
Entretanto, o ex-presidente do COB terá que entregar o passaporte à Justiça e fica proibido de deixar o Brasil, de ter contato com outros investigados e de sair da cidade do Rio de Janeiro sem autorização da Justiça. Além disso, ele não pode acessar sedes ou filiais e nem exercer qualquer atividade no Comitê Rio 2016 e no COB, e deverá se apresentar à Justiça mensalmente.
Nuzman foi preso no dia 5 de outubro na operação Unfair Play, desdobramento da Lava Jato que investiga a compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Ele é acusado de ter feito a intermediação entre os membros da quadrilha chefiada pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Comitê Olímpico Internacional, para viabilizar o esquema que fraudou a escolha da sede olímpica do ano passado.
Também nesta quinta, Nuzman, Cabral e mais quatro pessoas viraram réus em processo no âmbito da Operação Unfair Play. O ex-presidente do COB vai responder por corrupção passiva, organização criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, a participação de Nuzman no esquema de compra de votos para a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, o caracterizou como integrante da organização criminosa comandada por Cabral.
Ainda segundo o MPF, este esquema seria apenas uma etapa de um plano maior, já que o objetivo real da realização da Olimpíada seria multiplicar o volume de obras e serviços a serem contratados pelo Governo do Rio, através dos quais a quadrilha de Cabral também teria possibilidade de multiplicar seus ganhos ilícitos.
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