Repórter Nacional
Ministério da Economia mantém previsão de queda do PIB em 4,7% este ano
Os números estão no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que o governo enviou nessa quarta-feira ao Congresso Nacional

As contas públicas devem fechar 2020 com o pior resultado da série histórica, que começou a ser feita pelo Tesouro Nacional em 1997. A conclusão é do Ministério da Economia, que divulgou nessa quarta-feira o Relatório de Receitas e Despesas referentes ao terceiro bimestre. A projeção é que, no fim do ano, a diferença entre o que governo gasta e o que arrecada fique na casa dos R$ 787 bilhões.
Boa parte dessa despesa é com o combate à pandemia do novo coronavírus e o Congresso Nacional autorizou que algumas delas não fossem incluídas no cálculo do teto de gastos públicos. Entre as despesas sujeitas ao teto, o governo conseguiu fazer novos cortes e, diferentemente da última previsão, agora a expectativa é de respeitar o limite imposto pelo teto de gastos.
O secretário especial de Fazenda, do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, destacou esses dois pontos ao comentar o relatório.
Este será o sétimo ano consecutivo de déficit fiscal. Só em receitas, a perda estimada é de 24 bilhões de reais a mais que o previsto no mês de maio. Um dos motivos para essa situação é a redução das receitas com Previdência Social, devido, principalmente, à redução da massa salarial. O relatório avalia que o conjunto dos trabalhadores deve encerrar este ano com a média salarial quase 4% abaixo em relação ao fim do ano passado.
Ocorreram também perdas na arrecadação de impostos administrados pela Receita Federal. Especialmente os impostos de importação, sobre produtos industrializados e o Imposto de Renda. Além disso, o governo prorrogou a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras, IOF, sobre as operações de crédito.
A equipe econômica também apresentou o Painel das Medidas de Suporte aos Entes Federais, que mostra, em detalhes, o repasse a estados e municípios em meio à pandemia da Covid-19. De acordo com o levantamento, os estados perderam, em ICMS e IPVA, 7 bilhões 167 milhões de reais, enquanto receberam do governo ajuda no valor de 20 bilhões 236 milhões de reais.
O diretor da Secretaria Especial de Fazenda, Caio Megale, avaliou que esse apoio foi suficiente e gerou bons resultados, como a recuperação da arrecadação de impostos estaduais.
Algumas previsões do Ministério da Economia para este ano estão bem próximas das feitas por agentes do mercado financeiro e divulgadas semanalmente no Boletim Focus, do Banco Central. O governo estima que a inflação medida pelo IPCA fique em 1,6%, o dólar deve estar cotado a R$ 5,10 e a taxa básica de juros, a Selic, em 2,6% ao ano. Os investidores preveem inflação de 1,72%, o dólar a R$ 5,20 e a Selic em 2%.
Mas as previsões são diferentes quanto ao PIB. Para o Ministério da Economia, a soma de todas as riquezas deve cair 4,1%. No Boletim Focus, a expectativa é de redução de 5,95%. Para o Fundo Monetário Internacional, a retração do PIB brasileiro será de 9,1%.
Ouça o Repórter Nacional das 7h desta Quinta-feira (23):
Your browser does not support the audio element.
Mais destaques dessa edição:
- Ministério da Economia mantém previsão de queda do PIB em 4,7% este ano
- Ipea avalia que equilíbrio fiscal é a saída para o Brasil retomar desenvolvimento econômico
- Câmara aprova MP que autoriza União a repassar até 16 bilhões de reais a estados e municípios
- Passa de um milhão e meio o número de pessoas recuperadas da Covid 19 no país
Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.
Escolha sua manifestação em apenas um clique.