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Repórter Nacional

Dia da Visibilidade Trans marca luta por direitos

O preconceito e a violência ainda são entraves na busca por igualdade

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Os números relacionados à violência contra pessoas trans chamam atenção. E o Brasil é apontado como o país que mais mata pessoas transexuais e transgêneros no mundo.

O ranking foi elaborado pela organização civil europeia, Transgender Europe. Segundo o relatório da ONG, em números absolutos, o Brasil matou, entre 2008 e 2016, 868 pessoas trans. O número é o triplo do México e quase seis vezes maior que os Estados Unidos.

Os dados levam em conta organizações brasileiras de apoio às pessoas transgênero e a Rede Trans é uma delas. A entidade registrou, somente no ano passado, quase 180 pessoas assassinadas por serem transexuais. Segundo a presidenta da Rede Trans, Tatiane Araújo, o que sustenta a violência e o ódio contra essas pessoas, é uma série de fatores que envolvem a exclusão social em vários âmbitos, inclusive no familiar.

Somado aos números de violência, as pessoas trans ainda ocupam, majoritariamente, espaços marginalizados na sociedade, sobretudo no mercado de trabalho. Com isso, tendem a se manter em profissões sem regulamentação, sem segurança e vulnerabilizadas, como a prostituição. Ainda segundo Tatiane Araújo, cerca de 90% das pessoas trans brasileiras atuam como profissionais do sexo, porque muitas vezes não conseguem oportunidade em outro tipo de trabalho.

Forte motivo para a pouca participação de pessoas trans em funções de visibilidade é a evasão escolar: cerca de 82% dos estudantes trans, principalmente adolescentes, abandonam os estudos, por preconceito no ambiente escolar e também familiar, segundo a Rede Trans. Esse dado pode explicar o caminho difícil e curto dessas pessoas, que têm expectativa de vida de apenas 35 anos de idade, abaixo da expectativa geral de todos os países, segundo dados da Agência Americana de Inteligência (CIA), e metade da expectativa de vida do Brasil, que é de 75 anos.

O dia da Visibilidade Trans é lembrado nesta segunda-feira (29). A data foi criada pelo Ministério da Saúde como forma de reconhecer a dignidade de pessoas trans. 

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