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Setembro Amarelo: acolhimento ajuda adolescentes a desenvolverem autorregulação emocional

Especialista explica como família e escola podem ajudar jovens a reconhecer e lidar com emoções intensas e reforça a importância da escuta e da busca por apoio

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A adolescência é uma fase marcada por transformações físicas, emocionais e sociais. Nesse período, sentimentos como tristeza, raiva, ansiedade, frustração e insegurança podem aparecer de forma intensa e, muitas vezes, o jovem ainda não possui ferramentas suficientes para compreender e administrar essas emoções. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, o debate sobre como acolher e apoiar adolescentes ganha ainda mais importância.

Para falar sobre o tema, o Nacional Jovem conversou com a professora Carla Litrenta, psicopedagoga e educadora parental da Escola Internacional de Alphaville (EIA), de Barueri (SP). Segundo a especialista, aprender a lidar com as próprias emoções é um processo que precisa ser construído ao longo do desenvolvimento e conta com a participação dos adultos que fazem parte da vida do adolescente.

Um dos primeiros passos é ajudar o jovem a reconhecer e nomear aquilo que está sentindo. Em vez de simplesmente pedir que ele “se acalme” ou deixar de lado uma emoção considerada exagerada, pais, responsáveis e educadores podem criar espaços de escuta e diálogo.

A especialista também chama atenção para uma atitude comum entre os adultos: a tendência de comparar a adolescência atual com a própria experiência vivida no passado. Problemas relacionados a amizades, escola, aparência, relacionamentos e redes sociais podem parecer pequenos para quem já passou por essa fase, mas têm um significado real para quem está vivenciando essas situações pela primeira vez.

As redes sociais também acrescentam novos desafios. A comparação constante com padrões de beleza, sucesso e popularidade pode afetar a autoestima e aumentar a pressão sobre os adolescentes. Além disso, situações de bullying e cyberbullying podem ultrapassar os limites da escola e acompanhar o jovem por meio do celular e das plataformas digitais.

Nesse cenário, família e escola formam uma importante rede de proteção. A escuta sem julgamentos, a presença e o próprio comportamento dos adultos servem de referência para que os adolescentes aprendam maneiras mais saudáveis de enfrentar conflitos e frustrações.

A autorregulação emocional não significa deixar de sentir tristeza, raiva ou medo. Pelo contrário: significa aprender a reconhecer essas emoções e encontrar formas mais adequadas de lidar com elas. Estratégias simples, como fazer uma pausa diante de uma situação de conflito, respirar profundamente, conversar sobre o que está acontecendo e buscar atividades que promovam bem-estar podem ajudar nesse processo.

Durante o Setembro Amarelo, a orientação é também reforçar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Quando mudanças de comportamento, sofrimento emocional ou dificuldades persistentes chamam a atenção de familiares e educadores, é importante acolher o adolescente e buscar apoio profissional quando necessário.

A mensagem central é que adolescentes não precisam enfrentar seus sentimentos sozinhos. Escutar, acolher e estar presente pode fazer diferença, fortalecendo os vínculos e ajudando o jovem a desenvolver recursos emocionais para enfrentar os desafios da adolescência e da vida adulta.

Clique no player acima para conferir a entrevista.

O Nacional Jovem é apresentado por Edileia Martins com produção de Patrícia Fontoura e trabalhos técnicos de Maan “Pipi” Kayabi. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 13h30 às 15h, pela Rádio Nacional da Amazônia.

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