Nacional Jovem
Primeira Universidade Federal Indígena do Brasil representa marco histórico para a educação e os povos originários
Com sede em Brasília e gestão indígena, a Unind nasce para valorizar os saberes ancestrais, ampliar o acesso ao ensino superior e promover uma reparação histórica no campo do conhecimento

A sanção da lei que cria a primeira Universidade Federal Indígena do Brasil foi celebrada como um marco histórico para a educação brasileira e para o reconhecimento dos povos originários. A nova instituição, chamada Unind, terá sede em Brasília, estrutura multicêntrica em diferentes regiões do país e será administrada por indígenas, com a exigência de que o reitor e o vice-reitor pertençam aos povos originários.
Durante entrevista ao programa Nacional Jovem, o professor indígena baniwa bilíngue e doutor em Antropologia Social pela Universidade de Brasília, Gersem Baniwa, destacou que a criação da universidade representa uma importante reparação histórica e epistêmica. Segundo ele, a iniciativa reconhece a capacidade dos povos indígenas de produzir conhecimentos, tecnologias e formas próprias de ciência ao longo de séculos.
A Unind começará suas atividades com dez cursos de graduação, cerca de 2,8 mil estudantes e 366 professores. Além de ampliar o acesso dos jovens indígenas ao ensino superior, a proposta é construir uma formação acadêmica que dialogue com as diferentes culturas, línguas e realidades dos povos originários brasileiros.
Para Gersem Baniwa, a universidade também tem o potencial de fortalecer identidades, valorizar os saberes ancestrais e promover uma relação mais equilibrada entre os conhecimentos tradicionais e a ciência acadêmica. A expectativa é que a instituição se torne uma referência nacional e internacional na produção de conhecimento intercultural, contribuindo para uma educação mais diversa, inclusiva e conectada à pluralidade do Brasil.
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