Tarde Nacional - São Paulo
Tapete Vermelho destaca o legado de Luiz Carlos Barreto
Anna Karina de Carvalho esteve na despedida ao cineasta. Profissionais do audiovisual brasileiro destacaram as lições que Barretão deixou

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A coluna Tapete Vermelho desta quinta-feira (23) presta homenagens ao legado do cineasta Luiz Carlos Barreto, que morreu nessa quarta (22), aos 98 anos. A jornalista Anna Karina de Carvalho esteve no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde Barretão recebeu as últimas homenagens.
O também cineasta Bruno Barreto ressaltou que o legado do pai chega até mesmo aos campos de futebol: “O hábito de o capitão do time que ganha a Copa do Mundo levantar a taça foi criado por ele [Luiz Carlos Barreto], que era fotógrafo da revista O Cruzeiro em 1958. A ideia de o Belini levantar a taça foi do meu pai, que estava atrás de muitos fotógrafos. A partir daí, os capitães de todos os times que ganhavam a Copa do Mundo passaram a levantar a taça.”
A diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, afirmou que “Luiz Carlos foi maior que o cinema: foi um grande pensador e articulador de um projeto de país atravessado pela cultura, mas olhando para o todo. Tive a honra de conhecê-lo ainda criança. É um tipo de brasileiro comprometido com o bem-estar da nossa sociedade. A gente tem que agradecer a tudo o que Barretão fez.”
O diretor-geral do Canal Brasil, André Saddy, lembrou que a única emissora de TV dedicada ao cinema nacional surgiu no fim dos anos 1990, a partir de uma articulação de Barretão. “O Barreto é a maior referência do cinema brasileiro, sempre colocando o coletivo acima do individual. E disse que o único filme que ele não fez era chamado ‘Terra Brasilis’, usando trechos de filmes para contar a história do Brasil. Um dia eu disse que ele tinha feito esse filme e se chamava Canal Brasil.”
Para o cineasta Marco Altberg, que também participou da criação do Canal Brasil, Luiz Carlos Barreto teve papel fundamental para a construção da cinematografia nacional: “Se existe um cinema brasileiro, isso se deve muito ao Barreto, não só de maneira burocrática ou política. Ele lutou pelo conteúdo, pela narrativa brasileira, pelo espaço dentro da nossa cultura. É uma inspiração e um exemplo.”
Já a cineasta Anne Pinheiro Guimarães, diretora do longa Pequenas Criaturas, lembrou que Luiz Carlos Barreto foi quem deu a ela o primeiro trabalho no cinema, no filme Bossa Nova (2000). “Ele é o meu grande padrinho. Eu ligava para ele para pedir conselhos. Foi um grande entusiasta do cinema brasileiro.”
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