Tarde Nacional - São Paulo
Tapete Vermelho: confirmado 59º Festival de Brasília
Colunista Anna Karina de Carvalho traz ainda a ampliação do circuito de exibição do longa "Honestino" e o documentário "A Dança do Universo", sobre o físico Marcelo Gleiser

Foto: Divulgação/FBCB
A coluna Tapete Vermelho desta semana traz as novidades da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que tem um significado ainda mais especial: o evento passou por um momento de incerteza e quase não aconteceu. Foi a pressão da imprensa, do setor audiovisual e do próprio público que ajudou a garantir a continuidade de uma das mais importantes vitrines do cinema brasileiro.
Na coletiva de imprensa, a presidente do festival, Sara Rocha, falou sobre esse esforço para manter o evento de pé. A jornalista Anna Karina de Carvalho avalia que o Festival de Brasília chega a 2026 com uma programação plural, reunindo diferentes olhares, linguagens e gerações do cinema brasileiro. A atriz Julia Lemmertz é uma das homenageadas.
O Festival de Brasília acontece de 11 a 19 de setembro e busca dialogar com o grande público, por meio de uma seleção que mostra a diversidade e a força da produção cinematográfica brasileira. Entre os destaques está “O Verão da Lata”, escolhido para encerrar a programação. O festival ainda reserva uma estreia muito aguardada: a série pernambucana “O Delegado”, produzida por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux.
HONESTINO
A coluna também destaca a estreia do longa “Honestino”, dirigido por Aurélio Michiles, em novas cidades brasileiras: Mossoró, Sobral, Fortaleza, Recife, São Sebastião e Curitiba. O filme continua em cartaz em diversas outras salas de cinema pelo país.
“Honestino” recupera a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes e aluno da Universidade de Brasília. Preso cinco vezes por militância política, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, durante a ditadura militar e nunca mais foi visto. O filme mistura documentário e ficção para reconstruir essa história.
Cartas, poemas, imagens de arquivo e depoimentos de familiares, amigos e companheiros de militância ajudam a recuperar não apenas o personagem político, mas também o homem por trás da história. Nas cenas ficcionais, Bruno Gagliasso interpreta Honestino.
O longa já passou por importantes festivais e recebeu o Troféu Redentor de Melhor Montagem no Festival do Rio. Uma obra que revisita o passado para falar de memória, democracia e dos efeitos da violência de Estado.
A DANÇA DO UNIVERSO
Enquanto isso, no streaming, o diretor João Jardim apresenta “A Dança do Universo”, documentário dedicado à trajetória do físico e escritor Marcelo Gleiser. O filme parte da ciência, mas vai muito além das equações. É uma história sobre família, memória, escolhas, perdas, descobertas e sobre a nossa relação com o Universo.
A produção acompanha Gleiser desde a juventude em Copacabana, no Rio de Janeiro, até a criação da chamada Ilha do Conhecimento, na Itália. O documentário reúne familiares e nomes importantes da ciência e do pensamento contemporâneo. Entre eles estão Carlo Rovelli, Christof Koch, Adam Frank, Tasneem Zehra Husain, Jane Ismael e James Whitfield. Também participam Leandro Karnal e Ailton Krenak.
HOMENAGENS
A coluna também homenageia duas artistas que deixam marcas profundas na história da televisão, do cinema e do teatro brasileiros: Laura Cardoso e Glória Menezes. Atrizes unidas pela capacidade de transformar personagens em memórias afetivas de milhões de brasileiros. Elas deixam um legado que continua vivo em cada personagem, em cada cena e em cada geração que aprendeu a admirar o talento dessas duas gigantes da dramaturgia.
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