Tarde Nacional - São Paulo
Radar Sonoro destaca as mulheres no choro
Sarah Quines bate um papo com a cantora Rita Braga

Considerado o primeiro gênero genuinamente brasileiro, o choro surgiu na região da Pequena África no Rio de Janeiro no século XIX, e traz uma mistura de ritmos da diáspora africana no Brasil e em Portugal, como fados, lundus e modinhas, além de sons europeus como valsa e polca.
Desde 2024, o choro foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil. Nesta semana, no dia 23 de abril, foi comemorado o Dia Nacional do Choro. A data celebra o dia em que Alfredo da Rocha Vianna Filho, mais conhecido como Pixinguinha, teria nascido. Uma pesquisa recente confirmou que ele nasceu em 4 de maio, mas a comemoração já se consolidou em 23 de abril.
Além do autor de Carinhoso, nascido em 1897, uma outra figura, que veio ao mundo 50 anos antes, em 1847, ajudou a moldar o choro no país: a compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga, a primeira pianista chorona do Brasil. Ela compôs a polca chamada "Atraente" que é considerada por musicólogos como "o vestígio mais antigo que conhecemos do choro como assunto musical".
Apesar de Chiquinha Gonzaga estar na gênese do choro, a presença das mulheres foi sendo relegada a segundo plano. E com o objetivo de fortalecer a cena do choro com instrumentistas, compositores e cantoras, surgiu o projeto "Menina também chora" idealizado pela cantora Rita Braga, que bateu um papo com Sarah Quines na coluna Radar Sonoro desta semana. Rita falou sobre a ideia de unir quem busca chorões para eventos com as musicistas:
"Você só clica lá e você abre, você tá montando o seu evento e precisa de uma clarinetista de choro em Belo Horizonte. Então, você clica lá, preenche essas colunas que você vai achar. Aí tem algumas matérias também sobre, não só Chiquinha Gonzaga, mas também outras compositoras importantes que abriram caminho para nós, né, agora. Tem Lina Pesce, a Neusa França, que compôs Mariposa da Luz. Recentemente, eu descobri uma compositora Érica Rêgo, que tem vários choros, instrumentais e ela é mencionada muitas vezes somente como mulher do Luiz Americano".
Em geral, o choro é um gênero de música instrumental, mas também tem versões cantadas - inclusive “Carinhoso” de Pixinguinha, que ganhou letra de João de Barro. No final dos anos 1990, Rita Braga participou de um prêmio de MPB em que cantou um choro pela primeira vez. Ela fala sobre os desafios do choro cantado:
“Para o cantor tem uma extensão bastante grande. O cantor, a cantora tem que fazer adaptações porque a nossa extensão é mais limitada do que uma do que a de uma a de uma flauta, e a velocidade, né, o choro é rápido. Entretanto, o choro é excelente para o cantor, exatamente porque ele tem todos esses desafios. A afinação é importantíssima, você estar com a sua respiração em dia”.
Em comemoração ao Dia Nacional do Choro, o Sesc 24 de Maio promove a sétima edição do Choraço na capital paulista, com uma série de espetáculos, rodas de bate-papo e shows, que incluem artistas mulheres como Rita Braga com o Trio que Chora, de São Paulo; do grupo O Charme do Choro, do Pará; e o Choro Mulheril, de Santa Catarina. O Choraço segue até o dia 3 de maio com entrada gratuita e acessível. Informações no site sescsp.org.br.
Ouça a coluna no player acima.
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