Tarde Nacional - São Paulo
Maria Valéria Rezende: escritora, educadora popular e freira
Na Feira do Livro, autora fala sobre literatura, religião e militância política

A brasileira Maria Valéria Rezende nasceu em Santos, no litoral de São Paulo, há 83 anos. Já a escritora Maria Valéria Rezende nasceu em João Pessoa, na Paraíba, há pouco mais de 20 anos. E isso é ela mesma quem diz.
Autora de Quarenta Dias, vencedor dos prêmios Casa de Las Américas, Jabuti e São Paulo de Literatura; Outros Cantos, que levou o Prêmio São Paulo de Literatura; e Carta à Rainha Louca, que recebeu o Prêmio Oceanos, agora ela apresenta o livro de contos Recapitulações (editora 34).
Freira missionária da Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho, ela participa de um bate-papo neste sábado (6), na Feira do Livro, em São Paulo. Durante um passeio pelo evento, a escritora encontrou a jornalista Priscila Kerche.
Na conversa, elas lembraram da amizade que Maria Valéria Rezende teve com a líder feminista Pagu, durante a juventude. Tanto que a missionária é a autora da biografia Patrícia Galvão: Pagu, militante irredutível.
Maria Valéria trabalhou com educação popular e é uma das idealizadoras do coletivo feminista literário Mulherio das Letras. Filha mais velha de seis irmãos, ajudou a mãe a criá-los. "Fiz uma opção muito clara, que é ser freira. E deu certo. Dei quatro voltas ao mundo sem pagar uma passagem", diverte-se.
Sobre a relação da religião com a militância política, Maria Valéria Rezende entende como uma consequência natural: "Não há nenhum impedimento. Pegue os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, que relatam a vida de Jesus, e leia sem explicação de ninguém. É absolutamente revolucionário e político. É coerente com a minha militância", conclui.
Ouça a entrevista no player.
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