Tarde Cabocla
Defesa Civil do Alto Solimões alerta para desafios da estiagem na região
256 comunidades ribeirinhas podem ser afetadas por uma nova seca severa

Foto: Miss Lene Ferreira / Rádio Nacional
Durante a cobertura especial dos encontros do G9 e do Fórum dos Dirigentes Municipais de Educação (FORDIME), a radialista Miss Lene Ferreira conversou com secretários municipais de Defesa Civil para conhecer a realidade enfrentada pelos municípios do Alto Solimões diante da previsão de uma nova estiagem severa no Amazonas, associada à possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño e de um período prolongado de seca.
Os municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Amaturá são responsáveis pela assistência a 256 comunidades ribeirinhas, que sofrem diretamente os impactos da redução do nível dos rios, principal meio de transporte e abastecimento da região.
Em Tabatinga, o secretário municipal de Defesa Civil, Donizete Cruz, explica que o município acompanha 53 comunidades ribeirinhas. Entre os principais desafios estão as dificuldades logísticas durante a estiagem e o avanço do fenômeno conhecido como "terras caídas", processo erosivo que compromete áreas às margens dos rios e representa riscos para moradores e infraestrutura.
No município de Benjamin Constant, o secretário Ricelly Dárcio destaca que 66 comunidades localizadas em áreas de várzea enfrentam consequências que vão além da dificuldade de navegação. Segundo ele, durante a estiagem histórica de 2024, quando o Rio Solimões atingiu a marca de 2,56 metros abaixo de 0, houve interrupção no transporte fluvial, dificuldade no abastecimento de insumos, falta de água e até problemas no fornecimento de energia elétrica.
Ricelly ressalta ainda que a principal necessidade das comunidades ribeirinhas continua sendo o acesso à água potável, já que muitas localidades ainda não dispõem de poços artesianos nem de sistemas de purificação de água.
Em São Paulo de Olivença, o secretário municipal de Defesa Civil, Lucas Gomes, informa que o município atende 87 comunidades ribeirinhas — o maior número entre os municípios do Alto Solimões. Além do isolamento provocado pela estiagem, o município enfrenta o avanço do fenômeno das terras caídas desde 2010, que já afeta mais de 300 famílias na área urbana.
Já em Amaturá, o secretário Márcio Correia explica que a redução do nível dos rios dificulta o acesso às comunidades e compromete a navegação. Durante o período de seca, o porto do município deixa de receber embarcações de grande porte, obrigando passageiros e mercadorias a realizarem embarque e desembarque por embarcações menores, aumentando custos e o tempo de deslocamento.
Propostas para fortalecer a Defesa Civil
Durante as discussões do G9, representantes dos municípios construíram propostas conjuntas para fortalecer a atuação das Defesas Civis do Alto Solimões diante dos eventos climáticos extremos.
Entre as principais reivindicações está a valorização dos agentes municipais de Defesa Civil. Atualmente, dos nove municípios que integram o Alto Solimões, apenas Tabatinga e Benjamin Constant contam com agentes efetivos dedicados à área.
Os gestores também defenderam a inclusão permanente de debates e capacitações sobre adaptação às mudanças climáticas, além da ampliação dos investimentos em equipamentos modernos, tecnologia e qualificação profissional das equipes.
Segundo os participantes, o fortalecimento das Defesas Civis é fundamental para ampliar a capacidade de prevenção, resposta e atendimento às populações atingidas por desastres naturais cada vez mais frequentes na região amazônica.
FOTO: Miss Lene Ferreira
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