Tarde Cabocla
Encontro de Prefeitos do Alto Solimões debate soluções para fortalecer a Fábrica de Castanha de Amaturá.
Produção beneficia cerca de 400 famílias, mas dívida herdada de antigas gestões impede acesso a financiamentos e limita crescimento da atividade

Foto: Miss Lene Ferreira/Rádio Nacional
A situação da Fábrica de Beneficiamento de Castanha de Amaturá esteve entre os temas debatidos durante o Encontro de Prefeitos do Alto Solimões (G9), realizado no município. O objetivo é buscar alternativas que permitam fortalecer a cadeia produtiva da castanha, uma das principais atividades econômicas da região, responsável pela geração de renda para centenas de famílias.
Em entrevista à Rádio Nacional do Alto Solimões, o presidente da Associação dos Produtores e Beneficiadores de Castanha de Amaturá (APROCAM), Aurélio Santos, destacou os 25 anos de atuação da entidade, que atualmente atende 24 comunidades e beneficia aproximadamente 400 famílias envolvidas na coleta e produção da castanha.
Segundo ele, a associação registra uma produção anual em torno de 300 toneladas de castanha. Apesar da importância econômica e social da atividade, a APROCAM enfrenta dificuldades para acessar linhas de crédito e financiamentos devido a uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil, herdada de gestões anteriores.
A inadimplência impede a obtenção de recursos para investimentos e obriga a fábrica a operar em um modelo terceirizado. Com isso, empresas de outros municípios e regiões comercializam o produto final, enquanto a fábrica de Amaturá recebe apenas pelo beneficiamento da castanha.
“Hoje vendemos o quilo da castanha beneficiada para empresas por cerca de R$ 6,60. Se conseguíssemos comercializar o produto de forma independente, esse valor poderia chegar entre R$ 60 e R$ 70 por quilo”, explicou Aurélio.
A reportagem também ouviu a vice-presidente da APROCAM e produtora rural Dulcinéia Franco. Ela relatou os desafios enfrentados pelos trabalhadores da cadeia produtiva e reforçou a importância da castanha para a subsistência das famílias das comunidades envolvidas.
Outro destaque do debate foi a participação da coordenadora do Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões, Taciana Carvalho, que acompanha as discussões sobre alternativas para fortalecer a associação. Segundo ela, o Parque Científico Tecnológico do Alto Solimões têm buscado caminhos para viabilizar o perdão da dívida ou atrair investidores capazes de apoiar a retomada da capacidade produtiva da fábrica de forma independente, além de mobilizar a forças dos nove prefeitos da região para conhecer e fortalecer o trabalho modelo da APROCAM para a região.
Taciana ressaltou que o fortalecimento da APROCAM representa não apenas o desenvolvimento econômico de Amaturá, mas também a valorização dos produtores locais e da floresta amazônica, por meio de uma atividade sustentável que gera emprego, renda e preservação ambiental.
Os diálogos realizados durante o Encontro de Prefeitos do Alto Solimões reforçam a necessidade de ações conjuntas entre poder público, instituições de pesquisa e setor produtivo para garantir melhores condições de trabalho, ampliar a agregação de valor à produção e promover o desenvolvimento sustentável da região.
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