Revista Rio
RJ: Mais de 1.800 pacientes morreram por falta de leito, entre abril e agosto
Defensora Pública fala sobre a pesquisa, feita no auge da pandemia, que reúne informações obtidas em 111 unidades de saúde do estado

Em entrevista a Dylan Araujo, no programa Revista Rio, Alessandra Nascimento, subcoordenadora de saúde e tutela coletiva da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, falou sobre as informações levantadas pela instituição entre os meses de abril e agosto de 2020.
De acordo com a pesquisa, pelo menos 1.891 pacientes, ou 44,5% dos casos que, num período de 90 dias, necessitaram de internação hospitalar na rede pública devido a suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19 ou ainda por infecção respiratória viral, morreram à espera de leito ou no transporte a caminho do hospital. Outras 104 pessoas (2,44%) faleceram sem sequer terem dado entrada ou antes que uma transferência fosse solicitada no Sistema Estadual de Regulação.
A defensora pública aponta que os dados são relevantes para a tomada de deicisão dos gestores públicos em relação à pandemia, como para a flexibilização das medidas de isolamento. A Defensoria enviou ofícios para 214 unidades de saúde espalhadas pelo estado, das quais 111 (ou 51,86%) prestaram informações. "Já com a resposta de 111 unidades, conseguimos visualizar um número de óbitos substancial por falta de acesso a um dos leitos de UTI-covid ou Enfermaria-covid ao longo da pandemia", destaca ela. São pacientes que morreram em unidades que eram inapropriadas para atender suas necessidades.
"Essas pessoas faleceram aguardando o acesso ao atendimento de saúde adequado para a complexidade de seu quadro", completa.
Para Alessandra Nascimento o atual movimento de flexibilização, considerando uma taxa de ocupação de leitos que varia entre 85% e 90%, se mostra alarmante. "Podemos voltar ao que enfrentamos no início do ano, abril, maio, que era uma oferta de leitos insuficiente para pacientes tão complexos e com um número de mortes exorbitante", alerta ela durante a entrevista.
"Nós não temos a oferta necessária de leitos para dar a segurança para esse movimento de flexibilização. O que vimos foi o contrário, foi a diminuição com o fechamento de diversas unidades, principalmente os hospitais de campanha, em todo o estado, e aqueles que nem foram entregues." - destacou a Defensora Pública do Estado do Rio de Janeiro
Ouça a entrevista na íntegra clicando no player:
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