Mosaico
Festival celebra a cultura dos catraieiros do Tapajós
Evento em Alter do Chão (PA) une cultura e proteção do território. Atividade dos canoeiros foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do município de Santarém

A vila de Alter do Chão, em Santarém (PA), recebe, em fevereiro, o Festival da Catraia, evento que comemora os 46 anos da Associação dos Catraieiros de Alter do Chão. A organização é responsável por manter viva uma das mais tradicionais formas de transporte fluvial da região do Rio Tapajós. Em dois dias de programação (22 e 28 de fevereiro), o festival reúne corrida de catraias, homenagens aos mestres e mestras do rio, torneios de futebol, shows musicais e atividades culturais abertas ao público, celebrando o trabalho cotidiano de homens e mulheres que garantem a travessia entre as margens da Ilha do Amor e Lago Verde.
Criada oficialmente em 22 de fevereiro de 1980, a associação nasceu da prática espontânea de canoeiros que atravessavam moradores e visitantes muito antes da formalização da entidade. A condução era feita em catraias de madeira, com remos artesanais esculpidos a partir de espécies como tapiririca, marupá e envira-preta, saberes transmitidos entre gerações. Ao longo das décadas, a atividade se consolidou como fonte de renda sustentável, mobilidade e integração social, tornando-se também exemplo de empreendedorismo popular e turismo de base comunitária, com baixo impacto ambiental e forte vínculo territorial. Para os catraieiros, a embarcação vai além do transporte: é memória, pertencimento e identidade cultural.
O modelo de organização, baseado na cooperação e no cuidado com o território, levou ao reconhecimento dos catraieiros, em 2022, como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do município. Apesar disso, o grupo ainda enfrenta desafios como a falta de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo de base comunitária e à melhoria das condições de trabalho. O Festival da Catraia surge, nesse contexto, como estratégia de valorização cultural e fortalecimento institucional, e conta com o apoio do Instituto Regatão Amazônia.
Nesta edição do Mosaico, você confere uma entrevista com Antônio Sardinha, catraieiro Borari nascido e criado em Alter do Chão e presidente da associação. Pai de seis filhos e avô, Antônio Sardinha construiu sua trajetória a partir de sua vivência no território, onde o rio constitui elemento central da vida social, cultural e econômica.
Ouça mais no player acima. E confira aqui a programação completa do festival.
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