Alô Fronteira
Rádio Nacional 90 Anos: ouvintes do Alto Solimões contam histórias marcantes
É tudo, é alegria, amor, companhia agradável, são alguns dos substantivos e adjetivos relatados pelos ouvintes

Foto: Arquivo Rádio Nacional Alto Solimões
Os ouvintes Valmir Barbosa, Eusébio Sabá Barbosa (Sabazinho), Francisco Sales e Vital Romaine, destacam o amor pela Rádio Nacional.
Onde o asfalto não chega e as estradas dão lugar à imensidão dos rios amazônicos, a Rádio Nacional cumpre o papel histórico de conectar o Brasil profundo. Em comunidades isoladas e seringais do Alto Solimões, Javari e Purus, o rádio a pilha ultrapassa a mera transmissão de notícias, funcionando como uma ponte essencial de afeto, informação e presença diária.
Locutores emblemáticos, como Ailton Medeiros no programa Brasil Rural, transformaram a rádio no diário oficial do trabalhador do interior.
A atração enviava orientações técnicas e saudações diretamente de Brasília para pescadores, agricultores e seringueiros, criando laços duradouros de amizade entre os apresentadores e o povo ribeirinho.
A memória coletiva preserva marcos afetuosos, como o uso do rádio Transglobo nos seringais e o hábito de colocar pilhas ao sol para estender a carga.
Essas ondas curtas promoviam forte união comunitária, a exemplo da Copa de 1970, quando moradores se reuniam ao redor do único aparelho local para vibrar com a conquista do tricampeonato.
Em regiões sem redes telefônicas ou estradas, a emissora exerce papel crucial no socorro imediato e na salvação de vidas.
A programação é constantemente interrompida para veicular pedidos urgentes de doação de sangue e chamados de emergência.
Mesmo diante do avanço digital, o rádio segue como símbolo vivo de cidadania, acolhimento e resistência na floresta.
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